Minha história com Yanni começou meio desengonçada. Lembro-me que numa viagem que fiz à casa de minha tia, em Santa Catarina, meu pai quis apresentar-nos um DVD do qual ficou muito impressionado quando assistiu pela 1ª vez. Nos contou que era um show totalmente diferente do que estávamos acostumados e que ele tinha certeza que íamos nos emocionar muito. Perguntamos de quem era o show e ele nos respondeu: "Ah, é do Yanni. Um cara cabeludo, bigodudo, mas, muito fera nos teclados e no piano."
Na curiosidade, ficamos aguardando que o show começasse. O DVD era TRIBUTE e o meu pai nem deixou começar. Foi logo pulando pra 3ª faixa - RENEGADE. Quando eu vi Yanni tocando a introdução da música, confesso que nem prestei muito atenção no que ele estava fazendo. Quando vi aquele bigode eu disparei: "Nossa que cara feio!"
Na mesma hora ele distorce o som do teclado e foi quando eu parei pra ouvir. E foi quando eu também parei pra olhá-lo direito: De feio ele não tinha nada.
A partir daí, devoramos todo o DVD, várias vezes. Logo eu já tinha adquirido seus outros discos, seus outros shows. Foi uma febre que quase explodiu dentro de mim e num certo momento eu não pude mais me conter. tinha que vê-lo, tocá-lo, senti-lo em meus dedos... Yanni se tornou um ser sobrenatural, um Deus, a fuga que eu tinha para meus momentos tristes, a lembrança que eu tinha para meus momentos felizes.
Meu ápice, meu estopim foi quando descobri que ele viria ao Brasil e que meu sonho iria de qualquer jeito tornar-se realidade. Eu fiz de minhas tripas, coração, para poder vê-lo, ao passo de que moro longe (apesar de ser carioca), o ingresso também era caro... Tinha que arcar com passagens, ingresso, dinheiro pra me manter... Era muita coisa para um meio do ano sem planejamento nenhum para esse evento. O show do Yanni nos pegou de surpresa.
Eu quase cheguei a desistir, perdendo as esperanças quando descobri que não conseguiria os ingressos. Até que uma luz, um anjo de nome "Loraine" apareceu e acabou de vez com meus fantasmas. Foi graças à ela e à minha família, me dando suporte, que pude realizar esse momento que para mim foi essencial.
Não tenho muitas lembranças de cada momento do início do show, porque minhas lágrimas não deixaram acompanhar. Chorava compulsivamente, ao ponto de me acudirem por pensarem que estava passando mal. Naquele momento eu só tinha olhos para ele e eu não estava acreditando na visão que se projetava na minha frente.
E aí, alguma coisa aconteceu. O momento mais indescritível e inesquecível da minha vida.
Yanni estava tocando NIKI NANA e por impulsividade, fui correndo até perto do palco. Ninguém tinha se atinado em fazer isso ainda, por isso foram uns 2 ou 3 minutos cruciais, do qual eu poderia usar para chamar sua atenção.
Em meu ombro esquerdo, na parte posterior, eu tenho seu rosto tatuado. Fiz um "buraco" na camisa do fã clube, exatamente nesse lugar e usei isso para que ele me olhasse.

E ele olhou.
O tempo pra mim parou.
As pessoas sumiram, o barulho sumiu. Nessa hora só existia eu e ele.
Eu apontei pra tatuagem. Ele olhou, sorriu (um dos sorrisos mais lindos e mais sinceros que já vi em minha vida), se curvou com a mão no peito, levantou-se e ainda olhando para mim disse "thank you".
Eu senti minhas pernas bambas.
Como se esse momento fosse exatamente programado para acontecer, logo depois disso uma multidão tomou conta da frente do palco e eu fui ficando para trás, catatônica.
Para alguns, isso parece bobagem, mas acho que só eu sei o quanto significou para mim. E eu vou carregá-lo comigo para sempre.
Fazem quase 7 anos que assisti o DVD que meu pai quis nos mostrar e desde então me apaixonei perdidamente por sua música, por seu pensamento, sua filosofia, sua simplicidade, sua humildade, sua vontade de mostrar ao mundo que somos capazes de fazer tudo que quisermos desde que para isso coloquemos nosso coração e nossa alma como ingrediente principal.
*Juliett Costa é de Rio Grande, Rio Grande do Sul.